TREINAMENTO INTERVALADO NA OBESIDADE , por Prof. Dr. Newton Nunes.

TREINAMENTO INTERVALADO NA OBESIDADE , por Prof. Dr. Newton Nunes.
abril 25 23:58 2017

O aumento da prevalência global da obesidade nos países desenvolvidos e em desenvolvimento resulta da combinação de suscetibilidade genética com fatores ambientais. Apesar das evidências de que fatores genéticos têm uma grande importância na etiologia da obesidade, é patente que o fator ambiental é o principal determinante da epidemia. Isso se justifica pelo fato de que algumas décadas, período em que houve o aumento expressivo do problema no mundo, não seriam suficientes para estabelecer alterações genéticas substanciais, ao passo que a mudança nos hábitos e no estilo de vida foi enorme.

Pessoas que se mantêm ativas ao longo da vida têm menores chances de se tornar obesas e têm melhor distribuição corporal, com menores depósitos de gordura intra-abdominal.

Há evidências de que a inclusão de exercícios físicos nos programas de controle do peso corporal pode minimizar a redução da taxa metabólica de repouso que ocorre como causa das dietas hipocalóricas. No entanto, a interferência do exercício físico no metabolismo de repouso é ainda controverso em razão de diferenças quanto a tipo, intensidade e duração do programa de treinamento.

Os mecanismos que norteiam o efeito protetor do treinamento físico sobre o metabolismo de repouso ainda não são totalmente esclarecidos. Entretanto, é possível que a preservação de massa magra provocada pelo exercício físico auxilie na manutenção do metabolismo de repouso, uma vez que a musculatura esquelética é um dos componentes corporais que mais contribuem para o metabolismo energético

A inclusão de treinamento físico em programas de emagrecimento pode atenuar a redução de massa magra e minimizar a diminuição do metabolismo de repouso ocasionadas pela perda de peso. A prática de exercício físico apresenta aspectos relacionados ao efeito agudo e também crônico sobre a mobilização e a utilização de gordura, que influenciam o emagrecimento. Isso significa dizer que, mesmo após o exercício, a mobilização e a oxidação de lípides permanece aumentada.

Dietas muito restritivas e a prática do jejum são procedimentos que diminuem o metabolismo do organismo e dificultam a perda de peso através de massa de gordura.

Dietas ricas em carboidratos estimulam o malonil CoA, o qual inibe a carnitina palmitoil transferase.

Dietas com baixo teor de carboidratos diminuem a produção de insulina e, com isso estimulam a produção do hormônio de crescimento (GH), o qual é responsável pela aumento da síntese proteica. Contudo, restringir os carboidratos da dieta é outro erro, pois o metabolismo oxidativo da lipólise (Beta Oxidação) é dependente de carboidratos.

O treinamento físico aeróbio realizado entre os limiares ventilatórios (intensidade moderadas, alternando com intensidades mais elevadas(próximas ao segundo limiar ventilatório)) promovem elevação da biogênese mitocondrial e aumento na quantidade e ativação de enzimas oxidativas. Promovem o aumento da ativação da lipase hormônio sensível e da carnitina palmitoil transferase, responsáveis pela lipólise.

Porém os principais efeitos do treinamento físico no controle do peso corporal são obtidos cronicamente. Alguns efeitos de grande importância referem-se ao aumento da atividade da enzima lipase hormônio-sensível (enzima responsável pela maior mobilização de lípides no tecido adiposo) e da densidade mitocondrial, potencializando a oxidação de lípides, favorecendo assim o emagrecimento.

Na célula adiposa, o exercício físico aumenta a sensibilidade β-adrenérgica o que sugere uma maior modulação do sistema nervoso simpático no tecido adiposo. Além disso, o treinamento físico acelera a perda de massa gorda devido ao aumento da capacidade de oxidação de ácidos graxos livres nas células musculares

A prescrição de treinamento físico para os alunos obesos pode ser realizada por meio do exame ergoespirométrico, ou seja, realizando o treinamento entre os limiares ventilatórios para obter-se benefícios cardiorrespiratórios e metabólicos. Ela também pode ser feita por meio do teste ergométrico, utilizando-se a fórmula da frequência cardíaca de reserva ou Karvonen. Nessa população, recomenda-se treinar entre 50% e 70% para alunos obesos sedentários e 60% e 80% para condicionados.

Conclusões

A perda de peso alcançada pela dieta isoladamente leva à melhoria de todo o quadro patológico associado à obesidade, porém os benefícios adicionais obtidos com a inclusão de um programa de exercícios podem favorecer o controle metabólico, facilitando a manutenção da perda de peso. Contudo, nunca realize atividade física em jejum, pois a perda de peso corporal pode vir de perda da massa magra.

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