PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIO PARA PREVENÇÃO DA DOENÇA CARDIOVASCULAR

novembro 25 10:10 2015

Embora a realização de atividades físicas do rotineiras, tais como andar, lavar o carro, varrer a casa, colabore para um estilo de vida menos sedentário, a prescrição individualizada, de exercícios físicos, traz benefícios mais eficazes e seguros para cada praticante.

Intensidade de exercício

Para indivíduos jovens e idosos, portadores ou não de fatores de risco para doença cardiovascular e cardiopatas estáveis, a intensidade do exercício deve ser prescrita pelos limiares ventilatórios fornecidos pela ergoespirometria. Para os indivíduos com insuficiência cardíaca a prescrição do limite superior deve ser estabelecida 10% menor que o valor registrado no ponto de compensação respiratória, evitando assim, que oexercício seja realizado em acidose metabólica descompensada. No programa de prevenção e reabilitação cardiovascular oferecida pela Unidade de Reabilitação Cardiovascular e Fisiologia do Exercício do Instituto doCoração, a prescrição de exercício é realizada  numa intensidade entre o limiar anaeróbio e 10% abaixo do ponto de compensação respiratória. Na falta de uma avaliação ergoespirométrica, entre 50 e 80% da frequência cardíaca de reserva (FCres). A FCres é a diferença entre FCmáx e FCrepouso. Pela maior facilidade de mensuração durante as sessões de treinamento físico, a intensidade do mesmo é controlada pela frequência cardíaca correspondente aos limiares, através da palpação da artéria radial no punho ou frequencímetro. A freqüência cardíaca de reserva é empregada na fórmula de Karvonem, descrita abaixo:

 

FC treinamento = (FCmáx – FCrep)     x    % de treinamento físico  + FCrep

CUIDADOS ADICIONAIS COM A INTENSIDADE DA PRESCRIÇÃO:

É de extrema importância que as recomendações sejam seguidas pelo paciente, principalmente quando ele faz uso de beta-bloqueadores ou anti-hipertensivos, pois esses medicamentos alteram a frequência cardíaca e a pressão arterial durante o teste. Outro ponto importante, quando o paciente treina também em bicicleta, está em reduzir em 10% o valor da frequência cardíaca máxima, se o teste ergométrico for realizado em esteira rolante, antes de aplicar a fórmula de Karvonen. Dessa forma direcionamos o treino para ser feito em bicicleta, já que a frequência cardíaca nesse tipo de exercício é um pouco mais baixa.

Ainda com relação à frequência cardíaca, quando a resposta ao teste for isquêmica (teste positivo), deve-se considerar como frequência cardíaca máxima, o valor registrado no estágio de positivação, para evitar que o indivíduo treine acima do limite de isquemia.

É viável e sensato que exista flexibilidade durante a aplicabilidade dessas porcentagens na prescrição deexercício, no que se refere a condições gerais de saúde do indivíduo (cardiovascular, muscular, osteo-articular, psicossomáticas e outras). Vale lembrar que o custo/ benefício da prevenção e reabilitação cardiovascular deve obedecer muita mais a adesão desse paciente ao programa, conseguida através do prazer em realizar o exercíciofísico.

Tipo de exercício

As atividades que utilizem grandes grupos musculares e que possam ser mantidas por prolongado período de tempo, de forma rítmica como, por exemplo, caminhada, corrida e ciclismo, são recomendadas como o tipo de exercício mais efetivo para a melhora cardiovascular. Este tipo de atividade pode ser realizada por indivíduos que idealizam a prevenção (saudáveis e portadores de fatores de risco), bem como a Reabilitação Cardíaca (cardiopatias no geral).

O exercício resistido dinâmico de baixa a moderada intensidade (até 50% da contração voluntária máxima), realizados em séries de 10 a 15 repetições, com intervalos de descanso entre as séries, é recomendado como parte complementar de um programa de prevenção e reabilitação cardiovascular. Nessas condições, este tipo de exercício promove melhora na resistência muscular, facilitando a realização das tarefas diárias, trazendo maior independência , principalmente para indivíduos com idade mais elevada.

Também é de grande importância que os exercícios de alongamento sejam realizados no início e no término das sessões, sempre com a orientação para que o paciente mantenha uma respiração adequada, na tentativa de se evitar a Manobra de Valsalva.

O praticante ou paciente ingressante deve inicialmente ser submetido a um teste ergoespirométrico e uma consulta com o cardiologista, além da realização dos exames de laboratório (hemograma, dosagem sanguínea de triglicérides, colesterol total e frações, ácido úrico, uréia, creatinina, transaminases, glicose e eletrólitos).

Na prevenção primária e secundária fase III, após o indivíduo realizar o teste ergométrico, é realizada a prescrição da intensidade do exercício aeróbio.

As aulas de condicionamento físico são realizadas de forma coletiva, mas com prescrições individualizadas. Elas são divididas em turmas com frequência semanal de duas ou três sessões. As sessões possuem a duração de 60 minutos e são divididas em 4 partes distintas:

  1. a) aquecimento – (duração 5 a 10 minutos) consta de exercícios envolvendo grandes grupos musculares realizados com intensidade progressiva;
  2. b) parte principal ou parte aeróbia – (duração 30 minutos) consta de exercício em cicloergômetro e caminhada/corrida;
  3. c) ginástica localizada – (duração 15 minutos) visa o desenvolvimento dos objetivos específicos citados anteriormente;
  4. d) parte final – (duração 5 minutos) consta de exercícios de alongamento e relaxamento.

Durante o programa, os participantes são reavaliados nos primeiros 3 e 6 meses e finalmente semestralmente. Essa reavaliação visa avaliar a progressão da doença e o efeito do condicionamento físico, possibilitando a atualização da prescrição de exercício físico conforme o estado atual do aluno.

Professor Newton Nunes – www.areadetreino.com.br – Professor pelo Instituto do Coração de SP desde 1994. Especialista em Reabilitação Cardiovascular pelo InCor. Mestrado e Doutorado em Educação Física na USP.

  Sessão: