Pequenos atos podem significar a continuidade do seu filho no esporte

julho 25 21:17 2015

A tese de Mestrado de meu amigo Eduardo Figueiredo (1) nos ajuda a refletir sobre pequenos atos que podem determinar a continuidade ou não de nosso filho no esporte.   Este artigo propõe uma reflexão sobre a maneira como conduzimos a educação através do esporte das crianças, sob a ótica da construção de uma melhor PERCEPÇÃO DE COMPETÊNCIA PESSOAL.

As crianças têm diferentes motivações para iniciar e continuar na prática esportiva. De acordo com autores citados na tese de Figueiredo, as crianças:

1.    Buscam divertimento na prática esportiva

2.    Procuram o esporte para fazer algo em que julgam ser boas

3.    Querem melhorar suas habilidades, fazer exercícios, ficar em forma, fazer amigos e competir.

O maior número de crianças que participa de esportes organizados encontra-se entre dez e treze anos de idade.  A má notícia é que essas crianças vão parando consistentemente de praticar seu esporte favorito até por volta dos dezoito anos.  Segundo os mesmos autores, a taxa de abandono atinge em média 35% a cada ano, ou seja, três a quatro, entre dez, abandonarão o esporte no ano seguinte, a partir dos treze anos de idade.

Esta evasão se dá por várias razões, entre elas: mudanças de interesses da criança, baixa proficiência na modalidade, pouco divertimento, pressão excessiva, não gostarem do treinador, pelo fato do treino ser muito duro, por derrotas sucessivas, e pela supervalorização da vitória.

Mas, o que mais me chamou a atenção no estudo de Eduardo Figueiredo foi o fato de que, entre 11 e 13 anos de idade, o abandono mais freqüente ocorre por falta de experiências de sucesso!  Fracassos afetam a percepção de competência pessoal, ou PCP, e &ldquoespantam&rdquo as crianças do esporte, como veremos a seguir.

A percepção da competência pessoal (PCP), em linguagem leiga, significa como cada um de nós sente nossa adaptação ao meio em que vivemos.  Se nos sentimos adaptados, nossa motivação para atuar no meio aumenta se não nos adaptamos, nossa motivação diminui.

Na tese, Figueiredo explica que a criança distingue sua competência em domínios distintos (escolar, afetivo, atlético, e aparência física, por exemplo), e que já a partir dos QUATRO ANOS DE IDADE as crianças começam a expressar suas percepções de competência pessoal!  Quatro anos!

A criança faz uma avaliação de sua competência em determinado domínio, adotando um julgamento próprio que a leva a uma orientação motivacional (intrínseca ou extrínseca), e isso influencia sua escolha e permanência nas atividades.

A percepção de competência positiva leva as crianças a envolverem-se na atividade por prazer e diversão e a demonstrarem vontade de iniciar e permanecer no esporte, e aumentar as chances de conseguir um bom desempenho.

Ainda segundo o estudo de Figueiredo, os atletas com percepção de competência negativa percebem suas performances como sendo de menos sucesso.  Desse modo, a falta de diversão decorrente da pouca habilidade esportiva contribui significativamente para o pouco envolvimento de crianças e adolescentes em programas esportivos.  As crianças com baixa percepção de competência focalizam objetivos de resultados e vivenciam experiências consideradas estressantes.  É bastante comum que crianças com baixa PCP de suas capacidades e desempenho não participem ou abandonem precocemente a prática esportiva.

O autor acrescenta ainda que a avaliação que a criança faz do seu autoconceito (a sua AUTOESTIMA) influencia a sua percepção de competência.  Quanto mais positiva a autoestima do atleta, maior o despertar de emoções positivas, maior a facilidade para a concentração, maior a influência sobre a meta proposta e maior o esforço despendido, podendo afetar a estratégia de jogo e conseqüentemente o desempenho do atleta.

O êxito é o sentimento do eu consigo, é o sentimento de realização que acompanha o domínio de novas habilidades. O fracasso, por sua vez, é o sentimento de &ldquoeu não consigo fazer&rdquo, é o sentimento de frustração que acompanha o fracasso no domínio de uma habilidade.

Assim, é importante auxiliar as crianças a desenvolver perspectivas apropriadas de êxito e fracasso em suas vidas diárias, especialmente nos estágios iniciais do aprendizado.

As crianças que se percebem pouco competentes tendem a evitar desafios para não demonstrarem níveis inferiores de desempenho.

Como uma pessoa pode ser ou sentir-se competente se sempre houver alguém que faz as tarefas para elas?  Com crianças pequenas, todos nós já vivenciamos ou presenciamos comentários do tipo:

Não corre senão cai!&rdquo

Cuidado! Não sobe aí, você vai cair!

Deixa que eu faça para você!

Com crianças que começam a competir, ações como carregar a raqueteira, influenciar ou criticar sorteios de chaves forçar a vitória da criança por WO impedindo-a de vivenciar a oportunidade de competir não respeitar as regras da competição fazer as inscrições dos torneios, ver a chamada de jogos, trocar o grip da raquete dela, etc. também não contribui para o fortalecimento da autonomia, da autoestima e, consequentemente, da PCP.  Evitar esses comportamentos pode significar a diferença entre seu filho continuar ou abandonar o esporte!

No próximo artigo vamos continuar com os estudos do professor Eduardo, para construir e, no caso de jovens desmotivados, para reconstruir a PCP.

(1) artigo baseado na tese de Mestrado do Prof. Ms. Eduardo Figueiredo em Psicologia do Esporte pela Universidade Federal do Paraná em 2010.

 

FONTE:

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