Musculação para hipertensos e cardiopatas

Musculação para hipertensos e cardiopatas
junho 17 21:53 2015

A definição “exercício resistido” vem sendo comumente utilizada por profissionais da área da saúde, contudo, para os educadores físicos e praticantes os exercícios resistidos são popularmente conhecidos como exercícios com pesos, de força ou musculação, onde são desenvolvidos a partir da contraposição da musculatura alvo, a uma força externa, força essa que pode ser oferecida de forma manual, maquinal, elástica ou a própria massa do corporal .

Os exercícios resistidos são classificados em dinâmico ou isotônico e estático ou isométrico, tais terminologias são relativas à mecânica de execução dos exercícios, ou seja, contração muscular dinâmica é caracterizada por uma contração onde há a produção de tensão no músculo, seguida de movimento articular. Em contrapartida, a contração estática ou isométrica, ocorre quando um músculo gera força e tenta encurta-se, mas não consegue superar a resistência externa, sendo assim, gera-se tensão muscular, mas não há movimento articular.

Os exercícios resistidos caracterizam-se por exercícios nos quais ocorrem contrações voluntárias da musculatura esquelética de um determinado segmento corporal contra alguma resistência externa, ou seja, contra uma força que se opõe ao movimento, sendo que essa oposição pode ser oferecida pela própria massa corporal, por pesos livres ou por outros equipamentos, como aparelhos de musculação, elásticos, ou resistência manual.

Os exercícios resistidos podem ser executados em diferentes intensidades. Quando são feitos com intensidade leve (40% a 60% da carga voluntária máxima – CVM, ou seja, 40% a 60% do peso máximo que se consegue levantar somente uma vez), várias repetições (20 a 30) podem ser realizadas e o resultado dessa prática será o aumento da resistência da musculatura envolvida no exercício. Por esse motivo, esse tipo de exercício resistido (baixa intensidade e muitas repetições) é chamado de exercício de resistência muscular localizada (RML). Por outro lado, quando os exercícios são realizados em intensidades maiores (acima de 70% da CVM), o número de repetições não pode ser muito alto (8 a 12) e obtêm-se como resultado do treinamento o aumento da massa muscular (hipertrofia) e da força da musculatura envolvida no exercício. Assim, esse exercício (alta intensidade e poucas repetições) é chamado de exercício de força/hipertrofia.

Nos exercícios de baixa intensidade (RML) observou-se aumento tanto da pressão arterial sistólica quanto da diastólica em hipertensos e cardiopatas, sendo essa elevação pequena e considerada segura. Entretanto, em jovens e idosos saudáveis, esse exercício aumentou apenas a pressão arterial sistólica.
Por outro lado, a resposta pressórica durante o exercício de força/hipertrofia caracteriza-se pela elevação exagerada tanto da pressão arterial sistólica quanto da diastólica.

Alguns pesquisadores registraram valores médios de pressão arterial sistólica/diastólica de 320/ 250 mmHg e, em um dos voluntários, a pressão arterial chegou a 480/350 mmHg. Os mecanismos apontados como possíveis responsáveis pelo aumento dramático da pressão arterial nos exercícios resistidos de alta intensidade são: a pressão mecânica da musculatura contraída sobre os vasos sanguíneos esqueléticos e a elevação da pressão intratorácica (60 mmHg) gerada pela Manobra de Valsalva, cuja realização é inevitável quando o exercício é feito em intensidades acima de 75% a 80% da CVM.

A magnitude da resposta pressórica durante o exercício resistido está diretamente relacionada às características do exercício, ou seja, a intensidade, o número de repetições e a massa muscular envolvida.
A pressão arterial aumenta proporcionalmente à intensidade do exercício e atinge os valores mais altos nas últimas repetições de cada série. Dessa forma, os maiores valores pressóricos são observados nos exercícios com várias repetições e em alta intensidade (8 a 12 repetições em 70% a 85% CVM). De fato, nesses exercícios (força/hipertrofia), a elevação pressórica é maior que em um teste de carga máxima, ou seja, no exercício com uma única repetição em 100% da CVM. A massa muscular envolvida no exercício também influencia na resposta da pressão arterial . Alguns pesquisadores observaram valores pressóricos maiores durante a extensão de ambas as pernas (260/200 mmHg) do que na extensão de uma perna (250/190 mmHg) ou na flexão de um braço (230/170 mmHg).

Analisando os dados acima, pode-se dizer que a resposta pressórica ao exercício resistido depende primordialmente do exercício executado. Em exercícios de baixa intensidade, a elevação pressórica é pequena, porém, em exercícios de alta intensidade, a elevação pressórica é extremamente grande.

Musculação para hipertensos

Professor Newton Nunes – www.areadetreino.com.br
Professor pelo Instituto do Coração de SP desde 1994. Especialista em Reabilitação Cardiovascular pelo InCor. Mestrado e Doutorado em Educação Física na USP.

 

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