Musculação para cardiopatas e hipertensos (parte 2)

Musculação para cardiopatas e hipertensos (parte 2)
julho 29 19:00 2015

Os benefícios potenciais do exercício resistido incluem não só melhora na saúde e controle de fatores de risco para doenças cardiovasculares como hipertensão arterial, dislipidemia, sensibilidade à insulina, melhor controle do peso, prevenção de deficiências e quedas e aumento da capacidade funcional.

A inclusão do treinamento de força em programas de reabilitação cardíaca produz efeitos favoráveis ao bem-estar geral do aluno, pois auxilia na melhora da força e resistência muscular, do metabolismo, da função cardiovascular, evidenciada a partir de aumento do consumo máximo de oxigênio e melhora do débito cardíaco e significante redução da percepção do esforço para atividades submáximas.

Estudos demonstram que pacientes com doença arterial coronária (DAC) e insuficiência cardíaca (IC) apresentam menor força muscular máxima de membros inferiores (MMII) quando comparados a indivíduos de mesma faixa etária e saudáveis.

Alguns autores avaliaram 30 voluntários entre cardiopatas e controles saudáveis, com o objetivo de investigar se a baixa capacidade aeróbia de pacientes com DAC está acompanhada pelo déficit de força muscular em MMII. Os autores observaram, por meio de teste de capacidade máxima, teste de caminhada de seis minutos e avaliação pelo dinamômetro isocinético, que os pacientes cardiopatas apresentaram redução da capacidade cardiorrespiratória e fadiga precoce nos músculos avaliados.

Outro estudo verificou se a miopatia presente em pacientes portadores de IC está associada a alterações funcionais das proteínas contráteis das fibras musculares. Foi observada redução da força musculoesquelética nesses indivíduos sem alterações específicas funcionais nos filamentos finos e para a miosina. Contudo, foi confirmado menor conteúdo dessas proteínas miofibrilares, o que pode justificar a fraqueza muscular desses pacientes.

Já outro estudo comparou a força muscular dos flexores de cotovelo e extensores de joelho de 638 cardiopatas, selecionados de programa de reabilitação cardiovascular, após 3 semanas de treinamento aeróbio e resistido, e 961 voluntários saudáveis, e observou declínio significativo da força muscular tanto em membros superiores (MMSS) quanto em MMII, em ambos os grupos, com o aumento da idade. Na análise intergrupos foi observado déficit de força significante apenas em MMII, sendo o subgrupo de pacientes cardiopatas, com histórico de inatividade física antes do evento cardíaco, o que apresentou maior fraqueza muscular.

Os estudos apontam que a fraqueza muscular em pacientes cardiopatas decorre da inatividade física e, particularmente nos pacientes com insuficiência cardíaca, é consequente da atrofia muscular, sendo essa uma das características que compõem o estado patológico do sistema musculoesquelético em consequência da cardiopatia.

Esses estudos reforçam a importância da prática do exercício resistido, uma vez que a força muscular é uma aptidão física treinável e um fator importante para a execução das atividades de vida diária e profissionais.

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