LEPTINA: O SEGREDO DO EMAGRECIMENTO – Prof. Julio Tirapegui

LEPTINA: O SEGREDO DO EMAGRECIMENTO – Prof. Julio Tirapegui
agosto 15 23:35 2017
  1. O exercício físico causa uma série de modificações metabólicas no organismo. De forma aguda, pode-se destacar o aumento do gasto energético necessário para sua realização e a mobilização de substratos energéticos específicos. De forma crônica, considerando a adaptação do organismo ao treinamento, destaca-se a modificação na composição corporal e a capacidade aumentada de armazenar carboidratos e triacilgliceróis no músculo esquelético. Todas essas modificações estão relacionadas a fatores como idade, sexo, grau de treinamento, além do tipo e da intensidade do exercício.

A partir do conhecimento das ações da leptina e tendo em mente as respostas ao exercício, algumas questões poderiam ser formuladas: a leptina é necessária para que as ações metabólicas dos diferentes tipos de exercício possam ocorrer?; o gasto energético aumentado em decorrência do exercício teria como mediador leptina?; o treinamento físico extremo, que resulta em alterações na composição corporal e consequente diminuição nas concentrações de leptina, pode provocar efeitos deletérios aos demais eixos hormonais?; o exercício poderia aumentar a sensibilidade hipotalâmica à leptina, fazendo com que o organismo ajuste seu balanço energético mais eficiente- mente? A maioria das publicações sobre o tema até recentemente tem centrado a investigação nas modificações na concentração da leptina em diferentes protocolos de exercício, desde respostas imediatas até após meses de treinamento. As relações dessas respostas com o eixo reprodutor também têm sido investigadas.

Tem sido comum o relato de que o exercício físico, de forma aguda ou crônica, causa diminuição nas concentrações de leptina. Uma questão oriunda dessa informação é se o exercício, por si só, causa essa redução, ou se a diminuição na gordura corporal, resposta típica ao treinamento físico, ou ainda o desbalanço energético criado, não seriam responsáveis por essa diminuição. Além disso, não está claro se o exercício poderia aumentar a sensibilidade da leptina em seus receptores centrais e/ou periféricos. Deve haver uma concentração ótima de leptina que torna o exercício benéfico, e abaixo desta concentração, principalmente em mulheres, a sinalização hormonal pode ser alterada.

A oxidação de substratos energéticos para o exercício, como a glicose e os ácidos graxos, altera as concentrações de leptina. Por isso, a redução da concentração desse hormônio em decorrência do exercício pode ser devida a alterações da disponibilidade ou do fluxo de nutrientes nos adipócitos.

Cabe ainda investigar o possível papel da leptina no anabolismo proteico, em exercícios para hipertrofia muscular. Existe um importante papel do eixo somatotrófico (GH-IGF-I) nos processos anabólicos musculares, e parece que a leptina é capaz de influenciar, direta ou indiretamente, esse eixo. O fato de o GH (hormônio de crescimento) ter funções diretas e indiretas torna difícil investigar a relação da leptina com esse eixo. Na obesidade observa-se alta concentração de leptina e baixa concentração de GH; já na restrição alimentar, observa-se aumento do GH e diminuição na concentração de leptina. No caso dos exercícios resistidos, é possível que a leptina aja direta- mente estimulando a síntese de IGF-I no músculo es- quelético, independentemente do GH. Também cabe destacar que, como a leptina exerce influência nas concentrações dos hormônios sexuais, estes, por sua vez, podem ter um papel relevante na regulação do metabolismo proteico no organismo, e consequentemente nos processos de hipertrofia muscular.

 

  Sessão: