Ergoespirometria e limiares ventilatórios

julho 28 22:14 2015

A ergoespirometria ou teste de esforço cardiopulmonar é uma metodologia não invasiva que mede a capacidade do corpo de realizar as trocas gasosas, dando uma avaliação objetiva da capacidade e ou/ limitação ao exercício físico. Esta análise por sistemas computadorizados extremamente precisos e em tempo real é realizada através do registro de importantes variáveis tanto metabólicas quanto respiratórias, tais como o consumo pico de oxigênio (VO2 pico), em ml/kg-1.min-1  e em l/min,consumo máximo de oxigênio (VO2 máx.) em ml/kg-1.min-1 e em l/min,dióxido de carbono (VCO2),em ml.min-1,ventilação pulmonar (VE),em l.min-1,freqüência respiratória (FR) em rpm, equivalente ventilatório de oxigênio (VE/VO2), equivalente ventilatório de dióxido de carbono (VE/VCO2), razão de troca respiratória entre a produção de dióxido de carbono e o consumo de oxigênio (VCO2/VO2), pressão parcial de oxigênio ao final da expiração (PetO2), em mmH.,pressão parcial de dióxido de carbono ao final da expiração (PetCO2), em mmHg, fração expirada de oxigênio (FEO2) em %, fração expirada de dióxido de carbono (FECO2) em % e razão entre o espaço morto funcional estimado e o volume corrente (Vd/Vt), enriquecendo sobremaneira e fornecendo uma compreensão mais ampla  das respostas clínicas, eletrofisiológicas e hemodinâmicas indiretas proporcionadas pelo exercício físico progressivo e dinâmico, comparadas a ergometria convencional.

Esta metodologia também permite avaliar a dispneia causada por problemas circulatórios ou ventilatórios, a capacidade física de indivíduos normais e de pacientes e estabelece de forma segura a orientação para a prescrição de exercício físico.

O consumo máximo de O2 é definido como a quantidade máxima de O2 que o organismo pode absorver da atmosfera para os alvéolos, transportando, liberando e utilizando o O2 nos tecidos. Ao mesmo tempo, ele representa o nível de atividade física do indivíduo, que representa a reserva máxima do sistema cardiovascular, o mesmo é atingido quando ao aumentar-se a inclinação da esteira em 2.5%, o consumo de O2 permanece estável e/ou quando sua elevação é menor do que 150 ml O2/ minuto . Ao atingir-se o VO2 máximo, a capacidade de transportar e utilizar o O2 através da oxidação celular, desde a atmosfera até os níveis teciduais e que compreende a produção energética dos compostos trifosforados do ciclo de Krebs a nível mitocondrial, torna-se insuficiente para suprir o aumento da demanda energética imposta pelo exercício físico. No entanto, se o indivíduo testado não atinge o consumo máximo de oxigênio, o mesmo passa a ser considerado como o VO2 pico, definido como o consumo mais alto de oxigênio obtido pelo examinando durante o exame. Neste último caso, o término do exercício é devido a sintomas que não já não foram toleradas pelo indivíduo, tais como cansaço intenso em membros inferiores, dor muscular e/ou dispneia.

O VO2 pico é a variável mais importante na avaliação da capacidade funcional de indivíduos normais e de atletas. Nos pacientes com insuficiência cardíaca (IC) seu valor prognóstico é indiscutível, sendo um preditor importante para eventos, tais como sobrevida e óbito. Além do mais fornece um dado importante na seleção de pacientes para transplante cardíaco e influenciando também a diminuição do custo do transplante, dado este muito importante na economia das verbas de saúde, principalmente naquelas dos países com menos recursos. Seu valor prognóstico torna-se maior, ao ajustar-se seu valor com a massa corporal magra, especialmente nas mulheres e nos pacientes obesos múltiplas variáveis pode predizer os eventos, sobrevida e número de internações nos pacientes com insuficiência cardíaca.

O aumento da ventilação depende do consumo de oxigênio e da produção do dióxido de carbono, aumentando de forma linear até o limiar aeróbio. Esse limiar corresponde a 40% a 70% do VO2 máximo, e é definido como o nível de intensidade de trabalho em que a musculatura esquelética forma, através do metabolismo aeróbio, uma maior quantidade de ácido lático, devido provavelmente ao resultado de recrutamento de fibras brancas. Dessa forma o sistema cardiovascular não consegue suprir de forma totalmente aeróbia a elevação das demandas de oxigênio dos tecidos. Ele pode ser também definido como o maior consumo de oxigênio que pode ser mantido durante o exercício prolongado sem o acúmulo de ácido lático, delimitando, portanto, a transição entre um exercício moderado e exercício intenso. Nessa fase, os sintomas de dispneia e fadiga muscular são perfeitamente tolerados.

A ergoespirometria também é uma metodologia importante na diferenciação da dispneia de origem cardíaca e/ou pulmonar, principalmente naquelas em que há dissociação entre os sintomas de dispneia e os resultados de provas de função pulmonar, ou mesmo naqueles casos em que as provas de função pulmonar de repouso não ajudam na elucidação da origem da dispneia. Ela é também importante quando se suspeita que a dispneia tenha como origem fatores diversos, tais como psiquiátricos, sedentarismo físico ou mesmo falta de motivação do próprio paciente.

Por Prof. Dr. Newton Nunes

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